Acabo de voltar de mais uma visita á região histórica do Nordeste baiano, mais conhecida como Sertão. Há um bom tempo que precisava de um pouco de paz de espírito, meu coração precisava se desligar um pouco das coisas que estavam me fazendo mal, resumindo, precisava lavar minha alma.
O propósito dessa viagem foi entrevistar as pessoas na procissão dos Fogareús em Serrinha e na subida da Serra do Piquaraçá em Monte Santo.Fiquei encarregada de entrevistar homens acima dos 60 anos, confesso que amei a ideia de ficar com essa parte, respeito muitos os idosos pelo fato de lembrar meus avós, ainda mais homens, que me remetem ao meu velho Leão. Pois então fiz o meu trabalho e não tinha como não me emocionar com as palavras, e mesmo que indiretamente os conselhos e um pouco de ensinamento que eles me passaram. Depois assisti a encenação da Paixão de Cristo e foi lindo de ver tanta gente em volta de um mesmo amor.
Em Monte Santo tive um reencontro com minha fé, estive mais perto de alguém que tinha me distanciado um pouco, DEUS. Nos mais de 2km de subida da Serra, me arrepiei por diversas vezes, pensei na minha vida e fui guiada por dois anjos chamados Felipe e Mateus. Onde parava pra descansar eles paravam, quando andava eles faziam o mesmo. Ao chegar na Igreja da Santa Cruz eles sumiram, foram embora que eu nem vi. Os dois bem simples, com chinelo de dedo, um sem camisa,ambos sem água ou comida debaixo de um sol de 12hr. Acredito em destino e sei que eles não me acompanharam á toa, foi um aviso pra voltar mais pro lado de Deus.
Em Canudos a imaginação fica a flor da pele! Não tem como ficar naquele silêncio e não pensar nos tiros, nos gritos de desespero dos Conselheiristas e no grito de ódio do Exército, o pensamento fica a mil. No Açude de Cocorobó, onde fica submersa o povoado do Belo Monte (Canudos), uma ruína começou a aparecer. Segundo Roberto Dantas, a quem devo muita gratidão, é a ruína da Matadeira o canhão usado pelo Exército para destruir o povo sofrido do Belo Monte. O aparecimento da ruína desperta na gente uma vontade de querer ver mais, conhecer o que só viu por foto, poder pisar onde realmente viveu aquele povo que morreu por um ideal. Mas pelo outro lado é algo que afeta diretamente o sertanejo, pois sem água não há vida.
Esta foi uma breve narrativa do que vivenciei nesse lugar mágico, se pudesse viveria lá, longe de coisas ruins e perto da simplicidade e da força. Enquanto não posso fazer isso me contento com doses homeopáticas de sertanidade, aproveitando cada viagem pra conhecer pessoas que no dia-a-dia não tenho oportunidade de conhecer e me aproximar de outras que já estão por perto. Momentos como esse me fazem ter certeza do que quero. Obrigada deus pela oportunidade, obrigada por ser quem sou.
Vivência no Sítio do Futuro
Quando pequenos, temos como uma das brincadeiras favoritas colher mato pra fazer comidinha. Estar sujo de terra é mais frequente do que estar limpo. Quando pequenos, temos uma relação mais estreita com a natureza. Prestamos mais atenção ao que nos rodeia, seja um canto de um pássaro diferente, um pôr-do-sol em tons de degradê, o pisar em pequenas poças, o admirar-se com o movimento dos pequenos insetos. E então crescemos e perdemos o mato, o contato e o sentir. O mundo cão que nos rodeia nos ensina que sentimentos só devem ser demonstrados aos mais próximos (e olhe lá), jamais a desconhecidos. Ele nos veste uma armadura que cobre até nossos olhos. Quando foi a última vez que você admirou a lua? Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Onde está aquela criança que se admira com as pequenas coisas do mundo? As palavras criadas pelo ser humano ainda não chegaram ao nível do significado do que vivi nesse carnaval, mas talvez algumas delas como: paz, ...
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