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Minha história

Rio de Janeiro, 15 de junho de 1992 Nasce no Hospital Casa de Portugal, às 08:20 da manhã de uma Segunda-feira, Victoria Conceição Gomes Leão de Albuquerque. Geminiana, gênio difícil e ao mesmo tempo dócil, personalidade forte, temperamento que só a mãe aguenta, filha de nordestinos. Estaria tudo certo até este último item. Quem mandou  nascer em mais uma segunda-feira, provavelmente de temperatura amena pelos ventos de junho, no Rio de Janeiro? O São João no Nordeste já estava começando, o milho já estava colhido, as roupas das quadrilhas estavam prontas e os passos cansativamente repetidos já estavam nas ponta dos pés, o pé de serra já estava ensaiado, a sanfona, o triângulo e a zabumba estavam ávidos para brilharem em conjunto e individualmente, os meninos já estavam  soltando fogos, as meninas já haviam engomado o vestido para a grande noite.  O que sinto pelo Rio de Janeiro é estranho, dói e ao mesmo tempo é vergonhoso (para mim mesma). É estranho não ter apego ...

Incompleto

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O vazio que se faz aqui agora Já não tem mais hora pra acabar O tempo só demora E nada da solidão passar Bem que eu queria não pensar muito Apenas deixar acontecer Mas confesso que o significado de felicidade Tem base na saudade

Entre sonhos

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Existe uma linha muito tênue entre o sonho e a realidade. Existe um abismo entre a realidade e o sonho. Nessa dicotomia inicio um texto que sonha em falar da realidade, mas que certamente só conseguirá falar de sonhos, um tanto quanto irrealizáveis. O limite que torna o sonho próximo à realidade, é quando ele só depende de nós, do nosso esforço e força de vontade. Entretanto, o que os separa, os tornam distantes são as forças alheias à nossa vontade, ou seja, as pedras e pontes no caminho para realizá-lo. A realidade pode tentar acabar com os sonhos, mas, jamais acabará com uma mente sonhadora. 

O Natal da gente

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Exatamente no dia que eu sento para escrever algo sobre o Natal – e suas dissonâncias – sou surpreendida com a propaganda mais linda do mundo! Sim, em 21 anos de existência nunca havia chorado tanto com uma peça publicitária, sem exageros. A cultura popular tem esse poder sobre mim. Desde pequena convivo nesse meio, pois morava em Aliança – Pernambuco – onde nasceu o Maracatu de Baque Solto (ou Maracatu Rural). Por vezes, era tirada das minhas ocupações de criança pelo “tengo tengo” dos Caboclos quando  passavam na rua, corria para a porta para admirá-los mais de perto e me deslumbrar com suas cores. Desde aquele tempo, me arrepiava com o fervor das pessoas envolvidas em apresentações culturais, e não posso deixar de citar, que vibrava e me enchia de orgulho quando via meu avô – Maestro Zé Leão – tocar junto à banda quando dos festejos na cidade. Depois que meu avô se foi, o Natal tomou outro sentido pra mim, não sei se pelo senso crítico que desenvolvi desde então. É c...

Sobre expectativas

Recorri ao velho Google a fim de procurar um texto que tratasse de expectativas, não encontrei. Na verdade digo que não achei porque não li o que gostaria de ouvir, sendo assim, resolvi escrever para tentar por em ordem meus pensamentos. Desde pequenos somos coagidos a  criar ou a corresponder expectativas. É aquela sensação de quando nossa mãe chega do mercado e esperamos que ela tenha trazido nosso lanche favorito, é o que nossos pais depositam quando prestamos vestibular, é a reciprocidade que esperamos quando conhecemos uma pessoa bacana. Expectativas fazem parte das nossas vidas, nos acostumamos a criá-las até o momento de ser substituída pela decepção – e ainda assim temos aquela pontinha de esperança de que algo pode mudar aos 45 do segundo tempo. Acho que expectativa em algo/alguém é conjugação do verbo no futuro. É a persistência. Como não cultivá-las? Como não pensar no amanhã sem esperar algo? Como não acreditar que não vivemos nos contos de fadas em que no fina...

Ou eles, ou eu.

Hoje, ouvi uma conversa entre amigas em que uma surpreendeu a outra ao afirmar que ao invés de se entupir de gordura e fazer gordices, estava comendo salada. Ok. Não há problema algum de ver uma “gordinha” querendo ser saudável, porém, o motivo não era simplesmente para cuidar da saúde, a intenção era “ficar gostosa, pra chamar atenção dos homi”, de acordo com suas palavras. Pois bem, entendo em parte que a nobre figura tenha tomado um pé na bunda há pouco tempo e esteja  passando por aquela fase que todos nós passamos pós término de relacionamento, de querer provar para o outro que não está sofrendo, que está pegando gente mais fina, mais elegante e mais sincera e foda-se o resto. Estaria tudo certo se o motivo pelo qual ela come salada e queira ficar gostosa fosse para si mesma, para se olhar no espelho e ter vontade de se comer. O ponto que quero chegar, é o fato de uma mulher desejar melhorar sua forma para atrair homens, e antes que alguém me diga que é machismo, quero deixar...

Exceção

Chico Science dizia através da música que um homem roubado nunca se engana. O que o motivou a escrever esta frase não foi uma decepção amorosa, mas a escreveu para alguém que lhe prometera algo e depois não cumpriu, no caso, um tênis Adidas. Esta citação pode se aplicar a qualquer relação, seja ela, familiar, financeira e , sobretudo, as relações amorosas. Ah o amor! Mesmo quando não queremos pensar nele, inevitavelmente ele surge no meio da conversa e assim como acontece com os corações apaixonados, faz perder o rumo da prosa. Por mais que um dia alguém nos magoe, nos decepcione, nos desiluda, seja desleal, nem os mais fortes corações conseguem resistir  aos encantos de uma nova paixão. Como diz o poeta "É fogo que arde sem se ver", daí nos lançamos nessas chamas e a alma em efervescência já não sabe mais o que é certo ou errado, o que é coração ou que é razão. Eu falei razão?. Neste momento a razão tem cara de um antropólogo, sentado em seu escritório, cercado de livros ...